Tesouro Direto

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Os títulos públicos são papéis emitidos pelo governo para financiar suas atividades. Como explica o site do Tesouro Direto, quem compra um título público empresta dinheiro para o governo, em troca de receber, no futuro, todo o dinheiro de volta mais uma remuneração pelo empréstimo. Durante o período em que o dinheiro do cidadão fica emprestado (que pode ser de alguns meses a muitos anos), o governo o utiliza para fazer investimentos e colocar a máquina pública para funcionar. Todo o compromisso entre o investidor e o governo – quanto será emprestado? por quanto tempo? com juros de quanto? – fica registrado nessa “entidade” chamada título público.

Esses papéis são considerados muito seguros do ponto de vista do chamado risco de crédito. Significa dizer que a chance de o credor (no caso, o governo) dar um calote é pequena. É claro. Pertencem ao governo as máquinas de “fazer dinheiro” – em último caso, é possível recorrer à emissão de moeda para honrar a dívida pública (embora haja limites para esse tipo de recurso).

Quem compra títulos públicos? Uma variedade enorme de investidores. É possível que você mesmo já tenha tido alguns, ainda que indiretamente. Duvida? Se, em algum momento da vida, você teve dinheiro aplicado nos fundos de investimentos oferecidos pelo seu banco, provavelmente uma parte foi investida por eles em títulos públicos. (Você vai entender melhor o funcionamento dos fundos na seção Fundos de investimentos). Os fundos de pensão – onde os funcionários de empresas guardam dinheiro para a aposentadoria – também direcionam uma boa parte dos recursos para os títulos públicos.

Até o início dos anos 2000, só pessoas muito endinheiradas conseguiam comprar títulos públicos diretamente. Até que, em 2002, o Tesouro Nacional criou o Tesouro Direto, que permite aos pequenos investidores comprar esses papéis pela internet, com valores a partir de R$ 30. A vantagem? Os custos. As taxas de administração dos fundos que compram títulos públicos variam de 1% a 2% ao ano. No Tesouro Direto, há uma taxa fixa de custódia, de 0,30% ao ano, e mais uma taxa de administração que varia segundo a instituição financeira que intermediar o negócio – em algumas, essa taxa é zero.

Essa é uma das razões pelas quais o Tesouro Direto tem atraído muitos investidores nos últimos anos. Aliás, hora de começar a achar os dados para fazer reportagens sobre o assunto. A seção de Balanços e Estatísticas sobre o Tesouro Direto é rica em informações. Mensalmente ela é atualizada com um novo balanço de operações. São sempre dois arquivos. O primeiro é um relatório analítico e o segundo, um conjunto de tabelas. Uma espiada no relatório e nas tabelas de outubro de 2016 indica que há pauta no ar.

Abra as tabelas (é um arquivo do Excel). Vamos começar pela última planilha (“Número e Perfil dos Investidores Cadastrados no Tesouro Direto”). Veja o que aparece lá:

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Clique na imagem para abri-la e ver as informações em detalhes

Perceba que entre outubro de 2015 e outubro de 2016 houve um gigantesco crescimento no número de investidores cadastrados para comprar títulos públicos no Tesouro Direto. Praticamente dobrou. Esse movimento foi registrado ao longo do ano em diversas reportagens, como essa ou essa. Por quê? Boa pergunta para um jornalista fazer.

Veja que a mesma planilha traz outras informações que podem render boas histórias. Ela detalha o perfil dos investidores, por exemplo. Vemos que as mulheres são minoria e que está no Sudeste a maior parte dos investidores. Particularmente interessantes são os dados sobre a idade dos investidores. Dá para notar um “rejuvenescimento”, não? Em outubro de 2015, os investidores com até 25 anos eram pouco mais de 6% do total. Um ano depois, esses investidores mais jovens se aproximavam de 10% do total. Mas espere aí. Não são os jovens os mais impetuosos? Não são eles, justamente por essa razão, os mais dispostos a optar por investimentos agressivos, como a bolsa de valores? Por que estariam escolhendo, então, aplicações consideradas mais conservadoras, como os títulos públicos? Só aí há um punhado de perguntas para serem feitas.

Um parênteses: Se precisar de dados antigos, para construir uma série histórica mais longa, basta recorrer aos balanços anteriores. Há documentos disponíveis desde 2003.

Agora que você já sabe quem são os investidores do Tesouro Direto, vale a pena entender o que dizem as outras planilhas do arquivo. As cinco primeiras (1.1 a 1.5) informam sobre o “Fluxo Mensal” do sistema – basicamente, quanto foi comprado e quanto foi vendido. Veja a “cara” de cada uma delas:

Clique nas imagens para abrir a galeria e ver as informações em detalhes

Para entender os números, é preciso estar a par de alguns conceitos – e acompanhar as explicações com a tabela aberta! Nas planilhas 1.1 e 1.2, são detalhadas as vendas e os resgates por tipo de título. (Sim, existem vários títulos diferentes – lembra desse vídeo aqui, apresentado na seção Investimentos Mais Comuns?)

As “Vendas” correspondem ao volume total, em reais, de títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto (e comprados pelos investidores). Assim, segundo a tabela, as vendas de outubro de 2016 foram de R$ 1,9 bilhão. “Recompras” representam o volume total, em reais, de títulos públicos que foram revendidos pelos investidores ao Tesouro Direto. São pessoas que, por alguma razão, precisavam dos seus recursos antes do vencimento dos títulos e, por isso, “devolveram” os papéis ao governo federal – que “devolveu” o dinheiro a elas um pouco mais cedo do que o previsto. Em outubro de 2016, as recompras foram de R$ 661 milhões. “Vencimento” significa o volume total, em reais, de títulos que venceram ao longo do mês em questão. Sempre que um título vence (ou seja, chega ao fim da sua vida útil) os recursos correspondentes são devolvidos na conta do investidor – em outubro de 2016, os vencimentos somaram R$ 720 mil. “Resgates” são a soma de todas as recompras e de todos os vencimentos, totalizando R$ 662 milhões em outubro de 2016. Por fim, “Vendas Líquidas” correspondem a todas as vendas menos todos os resgates – que, no mês, chegaram a R$ 1,2 bilhão. Também dá para saber (na planilha 1.3) qual foi o volume de vendas por prazo de vencimento dos títulos.

Já as últimas duas planilhas (1.4 e 1.5) dão uma boa ideia de quem está conseguindo acessar o mercado de títulos públicos – são pequenos investidores mesmo, ou “pequenos grandes” investidores? Tudo indica que são, cada vez mais, os pequenos investidores mesmo. Como é possível concluir isso? Perceba, na planilha 1.4, que o valor médio por operação caiu entre outubro de 2015 e outubro de 2016. Os números mostram que cada compra realizada por um investidor no Tesouro Direto foi, na média, de R$ 10,7 mil em outubro de 2016 (e tinha sido de R$ 11,7 mil em outubro de 2015, bem mais alto). Já a planilha 1.5 dá ainda mais detalhes sobre isso. Ela mostra que, em outubro de 2016, os investimentos de até R$ 1 mil representaram quase 42% do total. As compras de títulos acima de R$ 500 mil, por sua vez, foram a menor parte – apenas 0,1%.

Se as primeiras planilhas da tabela mostram dados sobre fluxo, as planilhas 2.1 e 2.2 trazem informações sobre estoque. O estoque representa o volume de títulos públicos vendidos pelo Tesouro Direto que estão em poder dos investidores em um determinado momento. Todos os meses, alguns novos títulos são vendidos – e acrescentados ao estoque – enquanto outros vencem ou são resgatados – e, consequentemente, são retirados do estoque.

Pois em outubro de 2016 o estoque de papéis no sistema era de R$ 38,1 bilhões (o material permite saber como esse valor é distribuído por tipo de título e por prazo de vencimento). Parece um mundo de dinheiro, não é? Surpresa: perto da dívida pública federal inteira, de mais de R$ 3 trilhões, é quase nada – só pouco mais de 0,01%!

Uma outra seção importante do site do Tesouro Direto para quem vai escrever sobre o assunto é a de Rentabilidade dos Títulos Públicos. Ali se encontra uma lista com os papéis disponíveis para compra, com os respectivos preços e rentabilidades oferecidas dia a dia.


Siga adiante:
Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

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