Fundos de investimentos

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Antes de mais nada, por que fundos de investimentos são um assunto importante? Comecemos pelas cifras. Há nada menos do que R$ 3,4 trilhões aplicados na indústria brasileira de fundos de investimentos, conforme a Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Só para dar uma dimensão do número, o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil em 2015 somou R$ 5,9 trilhões – o que significa dizer que os investimentos em fundos correspondem a quase 60% de toda a riqueza gerada pelo país inteirinho em um ano. É muita coisa. Pessoas comuns investem em fundos. Investidores estrangeiros também. Fundos de pensão de empresas estatais fazem aplicações em fundos (sim, fundos investem em fundos!). Dinheiro do governo passa por fundos. Em resumo, os fundos de investimento são um veículo importantíssimo do mercado financeiro, e é por isso que a imprensa econômica olha para eles com carinho e atenção.

Fundos funcionam como uma espécie de “condomínio” de investidores. Cada investidor coloca nele um pouco das suas economias. E um mesmo gestor responsável pelo fundo se encarrega de juntar tudo para fazer aplicações financeiras comuns a todos. Podem ser em títulos públicos, em papéis privados, em ações, em outros fundos… Quem compra cotas de um fundo ganha a rentabilidade desses ativos, proporcionalmente ao volume de dinheiro que aplicou. E o gestor cobra uma comissão (ou taxa de administração) por esse serviço. A CVM é responsável por regular esse mercado e, por isso, dispõe de uma enormidade de dados sobre fundos.

Um parênteses: Esse material aqui (a partir da página 92) é riquíssimo em definições sobre os fundos de investimentos. Vale a pena dar uma olhada!

No site da CVM, é possível fazer consultas sobre fundos de investimentos rapidamente. Na página inicial, é preciso procurar a Central de Sistemas, no menu à esquerda, e dentro dela, no centro, encontrar o link “Consulta a Fundos”. A página aberta permite escolher entre “Fundos de Investimento” e “Fundos de Investimento Cancelados”. A segunda opção, como o nome indica, conduz à busca de fundos que já não estão mais ativos – e isso parece não fazer sentido algum. A depender da apuração que você esteja fazendo, no entanto, encontrar dados de fundos antigos, que já não funcionam mais, pode ajudar bastante. De qualquer forma, como o foco aqui serão os fundos funcionando normalmente, veja a página que aparece ao clicar em “Fundos de Investimento”:

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Para encontrar informações sobre um fundo específico, é preciso digitar parte do seu nome ou do nome do administrador (ou ainda o CNPJ do fundo) no campo assinalado em amarelo na figura acima. Na caixa logo abaixo (“Escolha o Tipo do Fundo”), é possível refinar a busca, escolhendo o tipo de fundo que se está buscando. Há muitos deles! Fundos de investimentos em participações, em índice de mercado, fundos imobiliários… Na dúvida, escolha a opção “Todos”. Mas atenção: a ferramenta retorna, no máximo, 200 resultados por busca. Pode ser necessário iniciar a consulta com informações mais detalhadas para conseguir chegar ao material que se quer.

Vamos a um exemplo. Publicações especializadas em economia costumam elaborar rankings de fundos, mostrando aos leitores quais são os mais (ou menos) rentáveis e os mais (ou menos) arriscados. Os dados que embasam esses levantamentos, aliás, são justamente os disponíveis no site da CVM. Em 2015, o ranking da revista Exame elegeu o fundo Gávea Macro Dólar como o mais rentável do mercado. Suponhamos que você é um jornalista da revista e precisa fazer uma reportagem sobre esse fundo – que, afinal, apresentou o melhor retorno. Como começar?

O primeiro passo pode ser exatamente uma pesquisa sobre as características da carteira. Na página de “Consulta a Fundos” da CVM, digite “gávea macro dólar” no campo disponível e selecione a opção “Todos” para incluir qualquer tipo de fundo. Veja o resultado:

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Perceba que mais de um resultado é exibido. Isso porque vários fundos possuem o termo “gávea macro dólar” no nome. Na lista, é preciso procurar pelo fundo exato. Se o jornalista tivesse o CNPJ do fundo, poderia comparar com os números na coluna à esquerda da tabela (que exibe o CNPJ de cada fundo encontrado na busca). Também pode-se verificar se o nome do fundo inclui outras palavras. É o nosso caso. Conforme o ranking da Exame, o nome completo do fundo é “Gávea Macro Dólar FIC de FI Mult”, uma abreviação para “Gávea Macro Dólar Fundo de Investimento em Cotas de Fundo de Investimento Multimercado”. Ufa!

Outro parênteses: Para saber o que são “fundos investimento de cotas”, veja a página 105 deste documento. Há também uma descrição de “fundos de investimento multimercado” no mesmo documento, na página 99.

Agora que você já sabe que o fundo campeão em rentabilidade é o segundo da lista obtida na “Consulta a Fundos” da CVM, é hora de ver os dados disponíveis sobre ele. Basta clicar sobre o seu nome ou CNPJ – o site vai direcioná-lo a uma nova página com essa cara:

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As informações disponíveis são inúmeras. No quadros azuis (intitulados “Dados Gerais” e “Caracterização”), encontram-se informações básicas sobre o fundo: do nome e do CNPJ até a classe de investimentos a que pertence. Abaixo dos quadros, segue-se uma lista de links que conduzem a “Documentos Associados”. São informações que os gestores e administradores dos fundos são obrigados a enviar à CVM periodicamente. Veja o que significa cada um desses documentos:

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É possível descobrir muita coisa fazendo essa consulta. O regulamento indica, por exemplo, que a gestora do fundo – a responsável por decidir em que será investido o dinheiro dos cotistas – é a Gávea Investimentos. A empresa pertence a uma figura conhecida do mercado financeiro: o economista Armínio Fraga, que presidiu o Banco Central entre 1999 e 2002, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso. Na página de consulta a “Dados Diários” do fundo, verifica-se que ele tinha um patrimônio líquido de cerca de R$ 110,5 milhões em novembro de 2016. O patrimônio líquido é a principal medida de tamanho de um fundo de investimentos – é comparando esse número que se pode dizer se um fundo é grande ou pequeno. O fundo em questão tinha apenas 32 cotistas (ou investidores). Usando matemática simples, significa dizer que, na média, cada investidor tinha a bagatela de quase R$ 3,5 milhões aplicados no Gávea Macro Dólar. Faz sentido, considerando o seu público-alvo. Segundo o regulamento, o fundo é restrito aos chamados “investidores qualificados” – ou, conforme definem as normas da CVM, pessoas que possuam no mínimo R$ 1 milhão em investimentos financeiros.

Os números da página de “Dados Diários” também mostram que durante o mês de novembro de 2016 houve captação de quase R$ 10 milhões. Isso é sinônimo de dizer que os investidores fizeram novas aplicações de cerca de R$ 10 milhões no fundo. Por outro lado, os resgates somaram zero no mesmo período – o que significa que ninguém tirou nenhum centavo da carteira. Estarão os investidores muito satisfeitos com a rentabilidade do fundo? Provavelmente sim. Somente no mês de novembro o retorno foi de 5,5%. Como se sabe disso? Pelo valor das cotas.

Em poucas palavras, quem investe em um fundo, na verdade, compra cotas – ou frações – dele. E a rentabilidade de um fundo corresponde à variação do valor dessas cotas em um determinado período. No caso do Gávea Macro Dólar, cada cota custava R$ 147,24 no dia 1º de novembro de 2016. Nas semanas que se seguiram, os investimentos realizados pela carteira foram bem-sucedidos – e, com isso, o valor das cotas subiu para R$ 155,23 no dia 29 de novembro de 2016. Aplicando a fórmula da variação, chega-se aos 5,5% (a título de comparação, a caderneta de poupança rende 0,5% ao mês!). É possível ampliar a pesquisa para períodos bem mais longos. Basta mudar o mês da “Competência” na hora de fazer as buscas nos “Dados Diários”.

Bônus: Fatos Relevantes

Um outro caminho para fazer consultas sobre fundos no site da CVM é pelo link de Consulta Pública de Documentos. Os dados disponíveis aí, na verdade, são os mesmos que encontramos pela via tradicional descrita acima. Mas como são apresentados de uma maneira diferente, esse caminho pode ser mais fácil para conseguir algumas informações.

O destaque, aqui, fica para os fatos relevantes. Fatos relevantes? São documentos que precisam ser divulgados pelos gestores e administradores dos fundos para informar o mercado (ou os investidores) sobre acontecimentos tão importantes a ponto de interferir no preço das cotas, influenciar a decisão de um investidor sobre comprar, vender ou manter essas cotas ou, ainda, ter impactos sobre o exercício dos direitos e deveres de um investidor.

Ficou difícil de entender? Imagine que um fundo invista em títulos de dívida de uma determinada companhia. E que essa companhia tenha passado por um problema financeiro sério, dando o calote em seus credores. Quer dizer que quem emprestou para a empresa possivelmente não verá a cor do dinheiro de volta tão cedo. É claro que isso causará um impacto na rentabilidade do fundo – e, por isso, o acontecido provavelmente será divulgado ao mercado na forma de um fato relevante.

São informações desse tipo que se pode acompanhar na seção de “Fatos Relevantes” da Consulta Pública de Documentos. O primeiro passo é clicar na opção assinalada em amarelo na imagem abaixo:

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Na página aberta na sequência, é preciso informar os parâmetros da busca. Se o jornalista estiver interessado em informações sobre um fundo específico, basta preencher o primeiro campo com parte do nome ou com o CNPJ da carteira. Se, por outro lado, estiver fazendo uma “ronda” periódica, vale selecionar apenas um período para a consulta – todos os fatos relevantes divulgados por fundos entre as datas serão exibidos. Basta escolher um dos documentos da lista que aparecerá abaixo e clicar para ler o conteúdo. Veja:

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Clique na imagem para abri-la e ver as informações em detalhes

Bônus adicional: Quer ter uma ideia de como é possível usar os dados dos fatos relevantes para realizar apurações interessantes sobre fundos? Siga os Números preparou um exemplo exclusivo. Você pode conferir o passo a passo dessa investigação aqui.

(Alerta de spoiler: Você perceberá, com esse exemplo, que uma investigação sobre um fundo nem sempre termina com uma reportagem sobre o fundo. Pode acabar, isso sim, com uma bela história de negócios e empresas!)

Mais um parênteses: As ferramentas de consulta do site da CVM são muito eficientes para obter dados de fundos individuais. Levantamentos consolidados sobre os fundos em geral, no entanto, deixam a desejar. No menu “Acesso à Informação”, na parte inferior esquerda da página inicial da CVM, há uma seção de Séries Históricas, mas os dados não são atualizados com a frequência que um jornalista gostaria. Nesse caso, vale a pena explorar o site da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima), instituição que reúne bancos e outras empresas do setor financeiro. Há muitos levantamentos disponíveis sobre fundos e outros produtos – aqui, por exemplo, existem vários estudos ao alcance de um clique!


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