A boa e velha caderneta de poupança

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A principal fonte de dados sobre a poupança é o chamado Relatório de Poupança, atualizado diariamente pelo Banco Central. Uma das informações mais acompanhadas pelos jornalistas nesse documento é a “Captação Líquida” da caderneta. Por captação líquida se entende a diferença entre os depósitos feitos pelos investidores na poupança e os resgates. Se a captação líquida é positiva, significa que mais gente aplicou do que sacou dinheiro da caderneta. Se é negativa, o que ocorreu foi o contrário – mais gente sacou do que aplicou.

Isso dá uma boa noção da situação financeira das pessoas no país. Quando elas aplicam, é sinal de que está “sobrando” dinheiro – elas chegam ao fim do mês com alguma economia que pode ser direcionada para a poupança. Já quando os saques predominam, o indicativo é de que está faltando dinheiro e as pessoas estão precisando recorrer às suas reservas para sobreviver. Durante o ano de 2016, quando o país viveu uma recessão econômica, não houve um mês sequer com mais depósitos do que resgates. A captação líquida ficou negativa do início ao fim.

Como ler o Relatório de Poupança? É simples. No documento baixado no link, abra a primeira planilha, intitulada “SBPLR”. Perceba que há dados diários de “Depósito” (coluna C), “Retirada” (coluna D) e “Captação Líquida” (coluna E). A coluna F traz dados sobre “Rendimento Creditado”, que corresponde à rentabilidade sobre os recursos aplicados na caderneta, que também é creditada nas contas de cada investidor. A última coluna da tabela – “Saldo” – indica qual é o volume total de dinheiro investido na poupança por todos os brasileiros. No fim de novembro de 2016, esse valor somava R$ 644,6 bilhões (observe na imagem logo abaixo).

Nessa primeira planilha (aquela intitulada “SBPLR”), a principal informação a acompanhar é o valor dos depósitos e resgates na poupança a cada dia do mês em andamento. Se estivermos no dia 5, a tabela vai exibir a captação do mês, dia por dia, até dia 5. Se for dia 10, a mesma coisa. No fim do mês, ela exibirá os dados também dia por dia, mais os do mês fechado.

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Clique na imagem para abri-la em outra janela e ver os números em detalhes (Use o zoom do seu computador, se for preciso)

Um parênteses: Você vai perceber, na planilha, que o número das linhas salta de 10 para algo como 4.200. As linhas no meio desse intervalo estão ocultas – mas podem ser exibidas, caso seja de seu interesse obter dados diários que eventualmente estejam “escondidos”. Isso significa que você consegue acessar dados de dias e meses anteriores também. Veja aqui como exibir linhas ocultas em um documento do Excel.

A quinta planilha do documento, intitulada “RESUPOUP”, traz os dados mensais sobre depósitos e resgates na poupança. Assim como a planilha “SBPLR”, essa aqui também tem linhas ocultas que trazem informações de meses anteriores – e que podem ser acessadas caso o interesse seja, por exemplo, traçar uma série histórica.

Dados mensais ainda mais antigos (desde 1995!) podem ser obtidos na sétima planilha do documento, chamada “SBPRL HIST”.


Remuneração

Fora os dados sobre quanto dinheiro entrou ou saiu, o “Relatório de Poupança” também inclui informações sobre a rentabilidade da caderneta. Eles estão na sexta planilha, chamada “INDICE”. Lembre-se de que a remuneração da poupança é creditada uma vez por mês. Então, se alguém fizer um depósito na caderneta no dia 5 de um mês, só receberá os juros correspondentes a essa aplicação no dia 5 do mês seguinte. A tabela dessa planilha mostra exatamente a taxa que cada investidor obteve durante um mês de aplicação, conforme o dia em que foi feito o depósito. Um parênteses: Essa planilha também está recheada de linhas ocultas, que podem ser exibidas para encontrar dados mais antigos.

Bônus: Além do “Relatório de Poupança”, outros documentos também podem conter informações sobre a caderneta. Um exemplo é o Censo Semestral do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O FGC é um fundo mantido pelos bancos brasileiros com o objetivo de cobrir, até um determinado limite, os depósitos feitos pelos cidadãos nas instituições financeiras, em eventuais casos de falência ou coisa que o valha. Funciona como uma espécie de “seguro”. Assim, se o seu banco falir,saiba que seus depósitos na caderneta de poupança estarão cobertos até o limite de R$ 250 mil – você receberá o que tinha de volta, tudo pago pelo FGC.

Semestralmente, o FGC produz um relatório sobre os depósitos que garante. Há muitos outros além da poupança – entra nesse “seguro” também o dinheiro mantido na conta corrente, por exemplo. Desse relatório, é possível extrair muitas informações sobre produtos de investimento, inclusive sobre a poupança.

Mas que tipo de informação consta no documento? O número de pessoas que aplicam na poupança por faixa de valor, por exemplo.

Vamos entender isso em detalhes. Veja alguns dados que o censo do FGC de junho de 2015 apresenta:

FGC-062015-page-003
Clique na imagem para abri-la e ver os números em detalhes (Use o zoom do seu computador, se for preciso)

Repare que essa tabela indica o número de clientes que possuem depósitos à vista (ou seja, dinheiro na conta corrente), depósitos de poupança, letras de crédito do agronegócio, entre outros. É fácil visualizar que havia aproximadamente 137 milhões de cadernetas de poupança abertas nos bancos em junho de 2015, somando um montante de R$ 642 milhões aplicados. Veja:

E-BOOK - CENSO FGC - PÁGINA 3 EDITADA 1
Clique na imagem para abri-la e ver o números em detalhes (Use o zoom do seu computador, se for preciso)

Note que esse documento mostra outra informação importante: quantos poupadores havia por faixa de valor poupado. A maior parte das pessoas – 58% – possuía menos de R$ 100 na caderneta. E apenas uma pequena parcela dos poupadores, na terceira casa depois da vírgula (0,009%) tinha somas realmente grandes economizadas na caderneta – acima de R$ 1 milhão. Veja:

E-BOOK - CENSO FGC - PÁGINA 3 EDITADA 2
Clique na imagem para abri-la e ver os números em detalhes (Use o zoom do seu computador, se for preciso)

Uma reportagem de macroeconomia poderia usar essa informação como um exemplo inequívoco da concentração de renda existente no Brasil. Afinal, aqueles 0,009% dos poupadores que têm mais de R$ 1 milhão aplicados na poupança detém mais de 6% de todos os depósitos feitos na caderneta. Em finanças pessoais e investimentos, o olhar seria bem outro: como é possível que quase 13 mil pessoas mantenham tanto dinheiro assim num produto de investimento considerado muito desvantajoso em relação a outros?

Mas por que tanto espanto? A poupança rende pouco. Lembre-se que a remuneração da caderneta é de 0,50% ao mês, mais a variação da Taxa Referencial (TR), um indexador de preços. Em 2015, a rentabilidade da caderneta foi de cerca de 8%. Mas só a inflação chegou perto de 11%. Em outras palavras, quem deixou recursos aplicados na poupança ganhou 8% no ano, mas para comprar as mesmas coisas precisou desembolsar 11% mais dinheiro. Em “economês”, diz-se que os poupadores da caderneta tiveram uma “perda real” de poder de compra, já que seus investimentos não renderam o suficiente nem para cobrir o avanço dos preços.

E é por isso que o número de milionários da poupança é tão surpreendente. Quem tem mais de R$ 1 milhão para investir consegue encontrar com facilidade aplicações alternativas que rendam muito mais que a caderneta. Uma reportagem de finanças pessoais poderia partir desses dados para indicar que opções são essas, além de procurar explicar as razões dos endinheirados que preferem a poupança. Ops, alguém já fez isso! Confira na seção Para você se inspirar.


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