Receita x Lucro

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Não é raro que os novatos no mundo dos negócios cometam uma confusão terrível: a receita e o lucro de uma companhia são coisas completamente diferentes. Isso muito embora ambos estejam descritos no mesmo documento contábil, que é o demonstrativo de resultados.

A receita de uma empresa é obtida no seu dia a dia. É quanto dinheiro ela ganha conforme desempenha suas atividades. Uma escola que recebe as mensalidades dos alunos? Receita. Uma loja que vende móveis? Receita. Uma indústria que exporta motores? Receita. Em geral, rankings de empresas são ordenados segundo a receita (é o caso da lista de Melhores & Maiores de Exame, por exemplo, em que a receita é identificada como Vendas). A receita também é usada como referência do porte de uma empresa tanto para fins tributários quanto para ter acesso a crédito em bancos públicos, como o BNDES.

O lucro só vem depois. Ele é determinado, sim, pela quantidade de receita que uma empresa gera em determinado período – mas também depende dos custos dela. A receita menos o custo dos produtos (ou serviços) vendidos resulta no lucro bruto. Se, nesse resultado, fizermos ainda outras deduções – como as despesas operacionais, as financeiras e impostos – eis que surge o lucro líquido. Na verdade, nem sempre a conta básica “receitas-menos-despesas” é igual a um número positivo. Se for negativo, você já sabe: a empresa teve prejuízo. Por isso, genericamente, fala-se em resultado (bruto ou líquido). Um parênteses: Na página 355 do livro TOP – Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro há uma representação simplificada de um demonstrativo de resultados, com direito a receita, lucro bruto e lucro líquido.

Entre várias, saber a diferença de receita e lucro é especialmente importante por uma razão: é o lucro que determina quanto os acionistas de uma empresa efetivamente vão ganhar. Nas empresas limitadas, costuma-se falar em distribuição dos lucros. Nas sociedades por ações, a parcela do lucro que as empresas dividem entre os sócios é chamada de dividendos. Para as S/A de capital aberto, com ações negociadas na bolsa, aliás, a lei estabelece um percentual mínimo: pelo menos 25% do lucro do exercício deve ser distribuído aos acionistas na forma de dividendos. No vídeo abaixo você conhece mais detalhes sobre isso:

Fonte: BM&FBovespa

Agora que você já entendeu a diferença entre receita e lucro, saiba que esses conceitos podem ajudá-lo a elaborar alguns cálculos um pouco mais sofisticados com base no demonstrativo de resultados de uma empresa. Há duas direções para avaliar os números de uma empresa – e quando dizemos “direções”, são direções mesmo. É possível fazer uma análise horizontal ou uma análise vertical dos dados.

A análise horizontal é, em princípio, mais simples. Tomemos como exemplo os resultados da Lojas Renner em 2015. O release divulgado na época pela empresa apresentava o demonstrativo em um quadro simplificado, assim:

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Clique na imagem para abri-la e ver as informações em detalhes

Por análise horizontal, entende-se a comparação dos números de uma mesma linha do documento ao longo do tempo, para verificar se houve variação. Fazendo a análise horizontal é que se pode saber se os resultados de uma empresa estão melhorando ou piorando, por exemplo. No caso dos números da Lojas Renner, pode-se comparar a receita – ela cresceu ou encolheu em 2015, em relação a 2014? Muitas vezes, como nesse caso, a própria empresa já apresenta as contas feitas. Repare:

e-book-pacote-de-negocios-receita-e-lucro-renner-horizontal
Clique na imagem para abri-la e ver os números em detalhes

Já a análise vertical pressupõe a comparação de cada item do resultado com a receita total obtida pela empresa. É chamada assim justamente porque para encontrar esses itens – que aparecem “empilhados” um sobre o outro no demonstrativo – é preciso correr os olhos sobre os números na direção vertical. Esse cálculo nada mais é do que uma proporção e resulta do no que chamamos de margens. A margem de lucro, por exemplo, indica quanto o lucro representa da receita, em termos percentuais – ou, em outras palavras, quantos reais de lucro foram obtidos a partir de quantos reais de receita. Isso permite confrontar, de forma proporcional, os resultados de várias companhias.(1)(2)

Imagine a seguinte situação: a empresa A e a empresa B tiveram receita de 100 em um determinado ano. A partir dessa receita, a empresa A obteve lucro de 50 e a empresa B, de 25. Aplicando a fórmula da proporção (que você aprendeu a fazer na seção As três operações básicas da matemática para jornalistas), é possível concluir que a margem de lucro da empresa A foi de 50%. Podemos ler esse número da seguinte forma: a empresa A conseguiu converter 50% da sua receita em lucro. Já a margem de lucro da empresa B foi de 25%. Digamos que as duas empresas atuem no mesmo setor e sejam concorrentes. Poderíamos inferir que a empresa A é economicamente mais eficiente que a empresa B – se ela conseguiu obter mais lucro tendo a mesma receita, é sinal de que seus custos são menores. Mas as duas companhias podem atuar em setores diferentes. Supermercados, por exemplo, são empresas que tradicionalmente apresentam margem de lucro mais baixa que joalherias. Pode ser o que explica a discrepância entre as margens de lucro das empresas A e B.

As margens usadas com mais frequência, conforme o jornalista Fernando Torres, do Valor Econômico, instrutor do curso Investigação de Empresas por meio de Balanços, são:

  • Margem bruta (Lucro bruto / Receita)
  • Margem operacional (Lucro operacional / Receita)
Lucro operacional é aquele gerado exclusivamente pela operação do negócio (ganhos com aplicações financeiras, por exemplo, são excluídos da conta)
  • Margem líquida (Lucro líquido / Receita)

Voltando ao caso da Lojas Renner, perceba que também há margens pré-calculadas disponíveis aos leitores do seu release de resultados:

e-book-pacote-de-negocios-receita-e-lucro-renner-vertical
Clique na imagem para abri-la e ver as informações em detalhes

Para estudar mais sobre os demonstrativos de resultados das empresas, confira os seguintes materiais:

  • Esse artigo dá uma visão geral sobre as principais contas (ou linhas) de um demonstrativo de resultados e mostra um modelo simplificado. (Conta Azul é uma empresa especializada em sistemas de gestão para empresas)
  • A organização de apoio ao empreendedorismo Endeavor Brasil oferece cursos para pequenos empresários – e um deles é o de Finanças Básicas para Empreendedores. O capítulo 4 é inteirinho dedicado aos demonstrativos de resultados. Vale a pena dar uma olhada nos vídeos!
  • O site da BM&FBovespa traz versões resumidas dos resultados das empresas listadas. Faça uma busca por uma companhia aqui. Na página da empresa dentro do site da bolsa, procure por Dados Econômico-Financeiros. Que conclusões você consegue tirar sobre a companhia que pesquisou?
  • As páginas 354 a 356 do livro TOP – Mercado de Valores Mobiliários Brasileiro indicam alguns exemplos de análises que podem ser feitas com os números dos balanços patrimoniais e dos demonstrativos de resultados de uma empresa. Vale a pena checar!
  • Também há bons exemplos de análises horizontais e verticais nas páginas 57 a 60 do livro Fundamentos de Administração Financeira. No livro elas são chamadas de “demonstrações de ano-base comum” e “demonstrações de tamanho comum”, respectivamente.

Siga adiante:
Valor de mercado x Patrimonial

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