Visualização, o fim (ou o início?) de tudo

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Talvez seja importante começar essa seção com um alerta de Simon Rogers: jornalismo de dados não significa visualização de dados.(1) Às vezes, uma história é melhor contada a partir de infográficos, sim – mas por que recorrer a eles se o texto der conta do recado?

Dado o aviso, sempre considere mostrar os dados que apurou com uma boa visualização. “Não somente porque pode ser belíssima e chamar atenção — elemento valioso para ser compartilhada e atrair leitores — , mas também porque conta com uma poderosa vantagem cognitiva”, diz Geoff McGhee. Como metade do cérebro humano é dedicada ao processamento de informação visual, os dados em um gráfico chegam mais facilmente até ele – o gráfico, afinal, vai direto ao ponto, reduzindo a desorganização de uma história complexa.(2)

David McCandless, jornalista e autor de Information is Beautiful, resumiu em 18 minutos o que pensa sobre visualização de dados, assunto em que ele é um autodidata. (O vídeo é em inglês, mas tem legendas!)

Fonte: TED

Na comunicação dos dados em si, o papel da visualização é evidente – seja para chamar atenção para algum ponto da reportagem, para excluir tecnicidades do texto ou até para dar mais transparência à apuração, como lista Sarah Cohen. Mas transformar os números em imagens pode ser útil de muitas outras formas. Ajuda a identificar temas a estudar e perguntas a fazer, permite identificar valores atípicos, que tanto podem ser indícios de pautas quanto de erros nos dados, facilita a busca de exemplos e mostra as falhas da reportagem.(3)

Mas qual é a melhor visualização para os dados que estão aí, neste momento, no seu Excel? Os especialistas, comenta Simon Rogers, sempre dirão que os dados devem “escolher” a sua visualização, de modo que ela se coadune a eles – e não o contrário. Até mesmo alguns dos maiores entendidos do mundo no assunto penam para cravar um veredicto para a pergunta. “Quando é apropriado usar um gráfico de barras, de linhas, um mapa de dados ou um diagrama de fluxo? Se tivesse a resposta para isso, eu estaria rico agora”, diz Alberto Cairo, um dos mais conhecidos jornalistas especializados em visualização de dados. Para cada conjunto de dados que cair em suas mãos, é preciso passar pelo menos esses quatro filtros sugeridos pelo autor antes de decidir como mostrá-los ao público:(4)

Pense nas tarefas que você precisa cumprir ou na mensagem que quer transmitir

Você precisa comparar, mostrar o fluxo, revelar conexões? Se você ainda não sabe, faça testes até que as histórias apareçam

Tente formas gráficas diferentes

Quando você tiver mais de uma tarefa com os dados, poderá ter de representá-los de maneiras variadas

Organize os componentes do seu gráfico de forma que se extraia significado dele da forma mais fácil possível

Quando for apropriado, inclua interatividade nos gráficos. Assim, as pessoas podem organizar os dados como preferirem

Teste suas tentativas com pessoas que representem seu público

Faça isso mesmo que não seja de maneira sistemática ou científica

Manjar de design e de programação é, certamente, meio caminho andado para quem precisa desenvolver uma visualização. Mas o volume de recursos disponíveis na internet também para quem não tem lá tanta familiaridade com uma coisa ou com a outra é enorme. Siga os Números preparou uma extensa seleção de materiais que poderão ajudá-lo a transformar seus dados em belas imagens. Alguns deles vão exigir um pouco do seu inglês – os materiais disponíveis em português ainda são raros, infelizmente. Mas nada que vá gastar o seu sotaque! Então, vamos lá:

  • Para começar, o Manual de Jornalismo de Dados dedicou uma seção inteira à comunicação de dados. Um dos artigos, em particular, vale muito a pena para quem quer aprender como fazer visualizações: O faça-você-mesmo da visualização de dados – Nossas ferramentas favoritas.
  • Um webinar com Alberto Cairo sobre jornalismo de dados e visualização (em português!) foi realizado pela Associação Nacional de Jornais (ANJ) em 2015. E sabe o que é incrível? O conteúdo está todinho disponível no YouTube – e aqui abaixo também!

Fonte: ANJ

  • Aliás, alguns trechos dos livros The funcional art e  The truthful art, também de Alberto Cairo, estão disponíveis no Google Livros.
  • Em 2015, o programa de pós-graduação em Ciência da Computação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) promoveu palestras e mini-cursos durante sua Escola de Verão. Um dos cursos foi – adivinha? – sobre visualização de dados, com a professora Raquel Minardi. Três vídeos, com cerca de 40 minutos cada um, estão disponíveis gratuitamente para quem quiser assistir. Como não foram desenvolvidos especialmente para jornalistas, alguns temas podem soar herméticos. Mas se aproveita muita informação boa deles! Os links são esse, esse e esse.
  • Já o Núcleo de Pesquisa em Jornalismo Científico, Infografia e Visualização de Dados (Nupejoc), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), mantém um interessante canal de divulgação de boas ideias sobre visualização. Vale a pena conferir.
  • Há centenas de tutoriais sobre como usar ferramentas para criar visualizações de dados – e alguns são mantidos nos sites Flowing Data e The funcional art. Há verdadeiros passo a passos para ajudá-lo nesta tarefa!
  • Uma série de tutoriais – especialmente desenvolvidos para jornalistas – estão disponíveis na Poynter News University. Lá, dá para aprender a usar o Tableau Public, ferramenta super popular para visualizações interativas (tem mais um pouco de informação nesse e nesse tutoriais também). Há ainda explicações sobre como criar mapas interativos com Google Maps e Google Earth. Tudo de graça.
  • E falando em Tableau Public, o próprio site da ferramenta também traz treinamentos e uma galeria de exemplos de visualizações de dados.
Bônus: A propósito de exemplos, nada mais inspirador do que ver boas visualizações para pensar em outras boas visualizações. Aqui no Brasil, há vários projetos independentes surgindo e deixando uma marca. Veja as visualizações desenvolvidas pela agência de jornalismo de dados Volt, por exemplo, ou os gráficos com dados envolvendo relações de gênero que a revista digital Gênero e Número tem feito. Não deixe de espiar também a galeria de gráficos produzidos pelo Nexo Jornal, cheia de ideias interessantes. Na mídia tradicional, o blog Na Base dos Dados, mantido pelo jornal O Globo, também inspira. A equipe do Estadão Dados tem uma galeria de gráficos interessante e ainda mantém no ar o Basômetro, ferramenta interativa que permite acompanhar como os parlamentares brasileiros se posicionaram nas votações no Congresso Nacional.
No campo mais específico da cobertura de finanças e negócios, há belos exemplos na mídia internacional. Na reportagem Who Gets Venture Capital Funding?, a agência Bloomberg mostra um levantamento indicando o que acontece com as companhias nascentes – ou startups – que recebem injeções de recursos dos chamados fundos de venture capital (aqueles especializados em fazer investimentos em pequenas empresas promissoras). Já na visualização interativa Setting the pace: The Fed acts, markets move, o jornal The Wall Street Journal mostra como cada mercado – ações, bônus, títulos públicos – reage às ações tomadas pelo Federal Reserve, o Banco Central dos Estados Unidos. A oscilação das linhas dos gráficos é impressionante! Tale of 100 entrepreneurs mostra como cresceu a receita das maiores empresas de tecnologia americanas ano após ano. E Airbnb x Berlin indica como a proliferação dos aluguéis por temporadas tem afetado todo o mercado imobiliário da cidade.

 Siga adiante:
Pacotes de cobertura com dados

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